terça-feira, 14 de outubro de 2008

Capitalismo espiritual

Além de atuar nas esferas física e intelectual, o capitalismo também se desenvolve na esfera espiritual. Algumas pessoas abandonam suas famílias e a sociedade, vão para cavernas em montanhas e realizam árduas penitências para satisfazer seu desejo ardente de emancipação espiritual. Egoisticamente, elas guardam para si o conhecimento espiritual e não se importam em despertar a consciência espiritual na vida individual e coletiva. Isto se denomina capitalismo na esfera espiritual. É contrário ao próprio espírito das práticas espirituais, que é:

A’tma moks’a’rtham’ jagaddhita’ya ca

“Auto-realização e serviço à humanidade.”

Para um espiritualista – desde o Criador até uma folha de grama – tudo é manifestação da Consciência Suprema. O estado de equanimidade é uma das principais características da espiritualidade. Sem essa qualidade, o indivíduo não pode se estabelecer no estado supremo e seu movimento rumo à Consciência Suprema é adiado a cada momento. Em tempos remotos, muitas pessoas estiveram envolvidas nessa trágica condição. A prática espiritual genuína é um direito inato de todas as pessoas. Em todos os campos da vida coletiva – econômico, político, social etc. – é essencial uma visão científica e racional. A propagação dos valores humanos cardinais[1] é uma necessidade imediata. Esta é a demanda da presente era. Uma vez que tais valores nobres não estão presentes na vida social, há muitas incongruências e confusões na sociedade.

Hoje, urge fazer uma revolução espiritual multifacetada, tanto na vida individual como na vida coletiva, a qual deve ser liderada por grupos de pessoas autorrealizadas e idealistas. Esses líderes devem ser providos de poder espiritual, e sua ideologia deve estar firmemente estabelecida no pilar sólido da espiritualidade. Tais líderes com qualificações tão elevadas são chamados de sadvipras. Eles garantirão o progresso social em todos os países e em todas as eras.

Todos os espiritualistas verdadeiros terão de se ajustar à dura realidade do mundo, inspirados no amor espontâneo de seus corações. Eles desejarão compartilhar com as outras pessoas a riqueza de seus intelectos desenvolvidos e aliviarão as aflições e o sofrimento da humanidade. Através de sua liderança e orientação, o pensamento humano tomará um novo rumo e seguirá num caminho inteiramente novo. A força espiritual, que se encontra latente em cada ser humano, será despertada. Através do esforço e da inspiração, as pessoas novas de uma nova geração estarão impregnadas de otimismo, terão uma nova visão do futuro e seguirão adiante triunfantemente.

Calcutá, 1981
Democracia Econômica, de Shrii P. R. Sarkar, pág. 100
[1] * Os valores humanos cardinais são os dez princípios morais: cinco Yama e cinco Niyama. Numa explicação sucinta, os cinco Yama são: ahimsa (não ferir ou magoar outros seres com ação, palavra ou pensamento), satya (praticar a verdade com o sentido de benevolência), asteya (abster-se de tomar, física ou mentalmente, o que pertence aos outros), Brahmacarya (sentir a divindade em cada ser e objeto do mundo), aparigraha (abster-se de coisas supérfluas). Os cinco Niyama são: shaoca (manter a limpeza e a pureza da mente, do corpo e do ambiente), santosa (manter-se em estado mental de equilíbrio), tapah (fazer serviço sem interesse pessoal), svadhyaya (ler e estudar escrituras espirituais), Iishvara-pranidhana (manter a ideação na Consciência Cósmica)

Um comentário:

Znayra disse...

Olá,

sabes de grupo de estudo no Rio de Janeiro, para que eu possa aprofundar-me mais?

fico grata, caso possas informar locais de encontro, caso saibas, meu correoi eletronico é znayra@gmail.com

obrigada,
znayra